domingo, 5 de dezembro de 2010

Melhor recomendação para diabetes tipo 2 são exercícios físicos combinados

Pessoas com diabetes tipo 2 podem diminuir significativamente seu nível de açúcar no sangue com um programa de exercícios que combina aeróbica com musculação, de acordo com um novo estudo.

Embora esse programa já seja recomendado para a diabetes tipo 2, pesquisadores dizem que o estudo, publicado no "The Journal of the American Medical Association", oferece algumas das melhores evidências até hoje de que um programa combinado ofereça maiores benefícios do que apenas exercícios aeróbicos ou musculação.

"Agora podemos olhar para indivíduos com diabetes e dizer a eles que esta é a melhor receita de exercícios", disse o principal autor, o Dr. Timothy S. Church, diretor de pesquisa em medicina preventiva do Pennington Biomedical Research Center da Louisiana State University.

O estudo dividiu randomicamente 262 pessoas sedentárias com diabetes tipo 2 em quatro grupos - 73 foram orientados a praticar treino de resistência três dias na semana, 72 deveriam praticar exercícios aeróbicos, 76 deveriam fazer a combinação e 41 pessoas formaram o grupo de sedentários para comparação.

O estudo foi notável no sentido de que quase metade dos participantes não era formada por brancos, e 63% eram mulheres.

Após 9 meses, os participantes que fizeram o treinamento combinado reduziram seus níveis do indicador de glicose no sangue HbA1c de 7,7% para 7,3%, em média - uma queda que corresponde a um risco significativamente reduzido de doença cardíaca, disse Church.

Referência: Church TS. et al. Effects of Aerobic and Resistance Training on Hemoglobin A1c Levels in Patients With Type 2 Diabetes: A Randomized Controlled Trial. JAMA. 2010;304(20):2253-2262.

Excesso de peso diminui expectativa de vida

Apesar de não parecer saudável, nos últimos anos alguns estudos tinham sugerido que o excesso de peso não provoca nenhum efeito sobre a mortalidade, e poderia na verdade reduzir o risco de uma morte prematura.


Agora, um novo estudo contraria essa visão. Segundo a pesquisa, estar acima do peso ou ser obeso pode diminuir sua expectativa de vida, mesmo que você não tenha doenças cardíacas ou câncer.

Os resultados desse novo estudo devem resolver o debate sobre a relação entre excesso de peso e risco de morte prematura, para que os cientistas se concentrem nas soluções para ajudar as pessoas a viverem mais tempo.

A pesquisa obteve dados de 19 estudos anteriores, que incluíram 1,46 milhões homens e mulheres brancos entre as idades de 19 e 84 anos. A ligação entre o peso e o risco de mortalidade era difícil de definir porque muitos estudos sobre o tema incluíam fumantes e pessoas com doenças cardíacas, câncer, ou derrame, todos relacionados à obesidade e à morte precoce.

Os pesquisadores excluíram os fumantes e as pessoas que tinham sido diagnosticadas com essas três doenças. As pessoas foram consideradas obesas ou com excesso de peso a partir do índice de massa corporal (IMC), uma relação simples entre peso e altura. Um total de 160.087 pessoas morreram durante o estudo, que durou cerca de 10 anos.

Em comparação com as mulheres de peso normal (IMC entre 22,5 a 25), as mulheres com excesso de peso tinham 13% mais probabilidade de morrer durante o período do estudo. Entre os moderadamente obesos (IMC 30 a 34) e com obesidade grave (IMC 35 a 39), as mulheres eram 44 e 88% mais propensas a morrer, respectivamente, do que as de peso de normal, enquanto as mulheres com obesidade mórbida (IMC maior que 40) tinham 2,5 vezes mais chances de morrer. O padrão foi similar para os homens.

As pessoas abaixo do peso também estavam em maior risco de morrer em comparação com as pessoas de peso normal. No entanto, os pesquisadores acreditam que isso se deva a doenças preexistentes, mas não detectadas, em pessoas muito magras, e não a graves problemas de saúde causados pelo baixo peso.

Apesar do estudo só ter incluído pessoas brancas, os resultados provavelmente se aplicam a pessoas de outras raças. Os pesquisadores também levaram em conta um conjunto de fatores de saúde e socioeconômicos, como idade, nível de atividade física, consumo de álcool, educação, e estado civil. Ainda assim, mais pesquisas serão necessárias para confirmar que se padrão observado no estudo também é encontrado em outros grupos étnicos.

Segundo os pesquisadores, o estudo forma um grande corpo de evidência que apóia a existência de uma associação entre a obesidade e a mortalidade. A conclusão é de que o excesso de peso é um fator de risco para morte precoce, que apesar de pequeno, é estatisticamente significativo.

Referência: Berrington A.G. et al. Body-Mass Index and Mortality among 1.46 Million White Adults. New England J Med 2010; 363:2211-2219

domingo, 28 de novembro de 2010

Passar muito tempo sentada aumenta risco de câncer ginecológico

Não importa a dose, o exercício físico sempre é um bom remédio para evitar vários tipos de câncer, em especial os ginecológicos, como o de endométrio. Ficar muito tempo sentada, por outro lado, está se consolidando como um fator de risco para estas mesmas doenças femininas.
O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos fez uma revisão de mais de 14 estudos sobre este câncer, em análises que envolviam 3.460 pessoas com a doença, concluídos entre 2007 e 2010. A revisão, publicada no British Journal of Cancer – uma das publicações mais importantes da medicina – traz dados animadores sobre a influência positiva da atividade física na prevenção do câncer.
Por outro lado, os dados também revelam que passar muito tempo sentada – entre 6 e 9 horas – seja no trabalho ou em frente à televisão influenciam negativamente no desenvolvimento de tumores no endométrio, a membrana que envolve o útero e faz as mulheres “sangrarem” uma vez por mês durante a menstruação.
A análise
Em todas as análises revisadas pelo Instituto do Câncer foi constatado que o exercício reduz em até 40% o risco de desenvolver tumor de endométrio, descontadas as influências genéticas e de hábitos de vida como tabagismo. Segundo a publicação, não é possível estimar ao certo qual a quantidade ideal de atividade física, mas em todos os estudos analisados ficou evidente que 20 minutos diários de atividades, repetidas por pelos menos cinco dias por semana já são suficientes para diminuir a probabilidade de desenvolver a doença e evitariam que 22% dos tumores malignos fossem desenvolvidos. A ressalva é que é preciso ficar um pouco ofegante durante os exercícios.
A publicação diz que a hipótese mais plausível para a influência benéfica do fim do sedentarismo é que as caminhadas, corridas, ginástica ou o pilates (só para citar alguns exemplos) são bons controladores da produção de hormônios que facilitam o ganho de peso e impulsionam o câncer de endométrio.
“Os exercícios reduzem os níveis de estradiol e aumentam os níveis de globulina, um hormônio sexual”, afirma o estudo. “As mulheres que mantêm um peso corporal saudável tendem a ter níveis mais baixos de estrogênio e, portanto, menos risco deste câncer”, concluem os autores.
Potencializadores
A mesma revisão de estudos constatou que diminuir as horas passadas sentada potencializaria os efeitos benéficos do exercício físico e evitaria 34% dos registros da doença. A hipótese é que a posição exigida no trabalho, no trânsito ou em casa facilitaria a produção de hormônios relacionados ao colesterol e o risco de câncer de endométrio. Pelas publicações, o período superior a seis horas já aumenta os riscos, mas o perigo é mesmo constatado nas mulheres que permanecem mais de 9 horas diárias sentadas: se são inativas, têm duas vezes mais possibilidade de ter este tumor do que aquelas que são ativas e passam menos de 3 horas sentadas por dia.

Referência: Moore SC et al. Physical activity, sedentary behaviours, and the prevention of endometrial cancer. British Journal of Cancer. 2010; 103, 933 – 938

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Exercício com música diminui as quedas entre idosos

A dança deixa o passo mais firme e pode melhorar a movimentação do corpo

Um grupo de idosos suíços recebeu a proposta de incrementar sua rotina de exercícios semanais - com música. Ao som de piano durante seis meses, eles conseguiram reduzir o número de quedas pela metade. Isso porque a música firma o passo e melhora muito o balanço e a movimentação do corpo.

Para a experiência, a equipe de Andrea Trombetti, da Faculdade de Medicina de Geneva, selecionou 134 pessoas na faixa etária dos 75 anos. Os voluntários foram submetidos a sessões de atividades físicas uma vez por semana, ao longo de seis meses. Uma parte deles teve que coordenar a atividade com músicas de piano. Os treinos incluíam andar no tempo da música e responder a mudanças de ritmo, que ficavam gradualmente mais difíceis.

Ao fim do estudo, o grupo que seguiu o treinamento normal sofreu um total de 54 quedas - o que representa uma taxa de 1,6 queda por pessoa/por ano. Já entre os que praticaram exercício com música, esse número caiu para 0,7 (24 tombos). Quando os grupos foram trocados, em uma repetição da experiência, o porcentual de quedas também se inverteu.

Os cientistas concluíram, portanto, que a experiência "sugere que esse programa pode ser útil para prevenção de quedas e a reabilitação em comunidades, como centros para idosos". Resta saber se os homens aceitarão dançar ao ritmo da música, já que apenas seis dos voluntários não eram mulheres. A pesquisa foi publicada no jornal Archives of Internal Medicine.

Referência: Andrea Trombetti et al. Effect of Music-Based Multitask Training on Gait, Balance, and Fall Risk in Elderly People. Arch Intern Med. Published online November 22, 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Baixinhos gastam mais energia na caminhada

Cientistas criaram uma nova equação que prevê quantas calorias as pessoas gastam enquanto caminham – segundo eles o impacto corporal é importante para essa medida, então a altura das pessoas deve ser levada em consideração.

O peso corporal, como você pode imaginar, também é importante, já que influencia no impacto também. Essa nova equação poderá ser usada em aparelhos que medem as calorias por passo, como pedômetros. Mas, mais importante, mostra que aquelas tabelas que “generalizam” a quantidade de calorias que as pessoas queimariam em cada atividade física podem estar erradas.

O estudo mostrou que crianças e pessoas mais baixas gastam mais “energia por quilo” do que outras pessoas. Então os cientistas analisaram voluntários de 5 a 32 anos e pediram para que eles caminhassem em velocidades de 0,4 metros por segundo a 1,9 metros por segundo. O peso dos voluntários variava de 15 a 88 quilos e sua altura de 1,10 metros a 1,80.

Os resultados mostraram que cada passo fazia com que eles gastassem a mesma quantidade de energia. Mas como pessoas mais baixas e crianças precisam dar mais passos para cobrir a mesma distância do que pessoas altas, elas acabam queimando mais calorias “por quilo”. Em outras palavras, como pessoas mais altas dão menos passos, elas gastam menos energia para cada quilo do seu corpo.

Referência: Weyand P.G. et al., The mass-specific energy cost of human walking is set by stature. J. Exp. Biol. 2010 213: 3972-3979

domingo, 14 de novembro de 2010

Tendência Secular de 10 e 20 anos da Maturação Sexual de Escolares do Município de Ilhabela

Rodrigo Mateus Farias, Sandra Marcela Mahecha Matsudo, Victor Keihan Rodrigues Matsudo - Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – CELAFISCS, São Caetano do Sul – SP e-mail: mateusfarias@gmail.com

Objetivo: verificar a tendência secular da maturação sexual de escolares de 11 a 15 anos, ao longo de 10 e 20 anos. Métodos: a amostra foi constituída por 1002 escolares com idade entre 11 e 15 anos, sendo 536 meninos (12,6+1,3) e 466 meninas (12,5+1,2), participantes do Projeto Longitudinal de Crescimento e Desenvolvimento de Ilhabela. Os critérios de inclusão foram: (a) idade entre 11 e 15 anos completos; (b) ficha de avaliação para maturação sexual completa; (c) pertencerem as escolas públicas do município de Ilhabela participantes do projeto. O período de avaliação dos alunos aconteceu nos anos de 1990/1991 (inicial), 2000/2001 (10 anos) e 2009/2010 (20 anos). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética - UNIFESP CEP 0056/10. Para a coleta dos dados utilizou-se do método da auto-avaliação proposta por MATSUDO S. e MATSUDO V. (1994), com a utilização das pranchas de TANNER (1962). A idade de menarca (mês e ano) foi coletada pelo método retrospectivo. Para a análise dos dados foram utilizados ANOVA “one-way”, “post-hoc” de Tukey e o delta percentual (Δ%). O nível de significância foi de p<0,01. Resultados: A idade de menarca inicial foi: 12,5+1,2; aos 10 anos: 12,3+1,0 e aos 20 anos: 12,2+1,0. Apesar da diminuição da idade de menarca durante os períodos analisados a diferença não foi significante. Houve diferença significante nos genitais (G4) e pelos púbicos (P3) dos meninos após 10 e 20 anos. Não ocorreu diferença significante nos estágios maturacionais das meninas, no mesmo período de estudo.
Conclusão: A tendência secular nos meninos foi positiva unicamente nos estágio 4 de genitais e 3 de pelos púbicos no período de 10 e 20 anos. Nas meninas a idade de menarca e os estágios de maturação sexual de mamas e pelos púbicos foi nula no período de 10 e 20 anos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Criança que vê mais TV come mais besteira

Crianças que assistem mais à televisão consomem mais doces e guloseimas e têm maior risco de ficarem obesas, de acordo com a conclusão de um estudo feito pela nutricionista Renata Alves Monteiro, da UnB (Universidade de Brasília).
A pesquisadora, do grupo de estudo do comportamento do consumidor da universidade, seguiu hábitos alimentares de 330 crianças de 9 a 12 anos de escolas públicas e particulares do Distrito Federal, em dois estudos.
No primeiro, fez um questionário sobre as preferências alimentares e o tempo médio de televisão de cada criança. No segundo, dividiu as crianças em três grupos e as submeteu a programas de TV com ou sem comerciais. Depois, repetiu o questionário e cruzou os dados.
A conclusão é que duas horas de televisão são suficientes para interferir nas escolhas das crianças. "Aquelas que assistiam mais televisão tiveram uma preferência maior por guloseimas", diz.
Monteiro é uma das autoras de outra pesquisa, feita em 11 países, que avaliou 12.618 comerciais. Desses, 67% eram de produtos com muita gordura, muito sal ou muito açúcar.
O estudo foi publicado no periódico "American Journal of Public Health" e coordenado pelo Conselho de Câncer da Austrália.
"No Brasil, 95% das propagandas para crianças são de alimentos não saudáveis. Isso tem uma relação direta com o aumento da obesidade", diz Monteiro.
Para a psicóloga Patricia Spada, da Universidade Federal de São Paulo, as crianças até sabem diferenciar o que é saudável do que não é. Mas, na hora de escolher, elas são seduzidas pelas estratégias de marketing.
"A comida vira um brinquedo. Se a bolacha dá risada e é divertida, isso encanta a criança", afirma.

Referência: Bridget Kelly et al. Television Food Advertising to Children: A Global Perspective. Am J Public Health, Sep 2010; 100: 1730 - 1736

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Exercício físico ajuda a prevenir resfriados

Manter o corpo em forma fortalece o sistema imunológico

Praticar exercícios físicos com regularidade pode ser um das maneiras mais simples de se prevenir contra resfriados. Isso porque manter o corpo em forma não é uma questão meramente estética. De acordo com um artigo publicado no British Journal of Sports Medicine, a atividade física é responsável ainda por fortalecer o sistema imunológico contra organismos invasores.

Em adultos, o resfriado pode aparecer de duas a cinco vezes por ano. Para os cientistas, essa variação está diretamente relacionada ao estilo de vida de cada um. As atividades recomendadas, no entanto, não precisam muito severas - basta que você se sinta em forma e saudável. “Praticar exercícios físicos nos faz sentir melhor e agora há ainda mais evidências que comprovam isso”, diz Steve Field, diretor do Royal College of General Practitioner.

Do estudo participaram 1.000 voluntários, que foram questionados sobre estilo de vida, dieta e situações de estresse. Todos tiveram de manter um registro detalhado sobre resfriados, tosses, espirros e prática de exercícios. Homens casados e mais velhos tiveram uma frequência menor de resfriados, já que tem tendência a comer mais frutas. Mas foram as atividades físicas que se mostraram mais importantes na prevenção do resfriado. Aqueles que se sentiam em forma e eram ativos tinham um risco reduzido em até 50% de ficarem gripados. E, mesmo quando sucumbiam ao vírus, seus sintomas eram bem inferiores aos dos demais.

Referência: Nieman DC et al. Upper respiratory tract infection is reduced in physically fit and active adults. Br J Sports Med. 2010.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ESTADO COGNITIVO E CAPACIDADE FUNCIONAL DE MULHERES

Rafael Benito Mancini, Rosangela Villa Marin, Sandra Matsudo. Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul - Projeto Longitudinal de Envelhecimento e Aptidão Física de São Caetano do Sul.
E-mail: mancini.rafael@gmail.com; celafiscs@celafiscs.org.br

Introdução: durante o processo de envelhecimento ocorrem alterações no estado cognitivo que podem estar associados a força muscular e a capacidade funcional.

Objetivo: relacionar o estado cognitivo com medidas antropométricas, capacidade funcional e a força muscular de mulheres acima de 50 anos de idade fisicamente ativas

Métodos: foram avaliadas 155 mulheres com idade entre 50 e 88 anos (68,44 +7,63 anos) participantes de aulas de ginástica aeróbica 2 vezes na semana pertencentes ao Projeto Longitudinal de Envelhecimento e Aptidão Física de São Caetano do Sul desenvolvido pelo CELAFISCS desde 1997.

O estado cognitivo foi mensurado pelo mini-exame de estado mental - MEEM (Folstein e col.,1975), as variáveis antropométricas analisadas foram a massa corporal total, a estatura, o ìndice de massa corporal (IMC), a adiposidade através da média de três dobras cutâneas (triceps, subescapular e suprailíaca), a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril, a força muscular foi avaliada pelo teste de preensão manual e impulsão vertical.

A capacidade funcional foi avaliada pelos testes de equilibrio estático, velocidade de levantar da cadeira, velocidade de andar, velocidade máxima de andar e a agilidade propostos por Matsudo S (2004). A análise estatística utilizada para o teste de normalidade foi o teste de Kolmogorov Smirnov, e para relacionar o estado cognitivo com as variáveis antropométricas, força muscular e capacidade funcional foi usada a correlação linear de Spearman.

O nível de significância adotado foi de p<0,05.
Resultados: os valores da correlação (r) estão descritos na tabela:


Foram encontradas associações fracas e significantes do estado cognitivo com a idade, equilíbrio estático e velocidade de andar. Nas variáveis de estatura e impulsão vertical foram encontradas associações consideradas baixas.

Conclusão: o estado cognitivo tem associação com a capacidade funcional em mulheres fisicamente ativas.

sábado, 16 de outubro de 2010

Caminhar ajuda a preservar o cérebro na velhice

Caminhar pelo menos dez quilômetros pode ser uma das coisas que as pessoas podem fazer para impedir que seus cérebros encolham e combater a demência, disseram pesquisadores nos Estados Unidos.
Um estudo de cerca de 300 pessoas em Pittsburgh, que registraram seus hábitos de caminhada, mostrou que os que andavam pelo menos dez quilômetros tinham um encolhimento cerebral ligado à idade menor que o de pessoas que andavam menos.
"O cérebro encolhe na fase mais avançada da idade adulta, o que pode causar problemas de memória. Nossos resultados encorajam a realização de testes para verificar se exercício físico em pessoas mais velhas são uma abordagem promissora contra demência e Alzheimer", disse Kirk Erickson, da Universidade de Pittsburgh. O trabalho aparece na revista Neurology.
A equipe de Erickson fez o estudo para ver se pessoas que andam muito poderiam combater melhor as doenças da idade.
Foram estudados 299 voluntários que entraram na pesquisa sem sofrer de demência, e que registraram suas caminhadas.
Nove anos depois, cientistas fizeram varreduras do cérebro para medir o volume do órgão. Depois de outros quatro anos, foram feitos testes para ver se algum participante sofria de limitações cognitivas ou demência.
Descobriu-se que as pessoas que caminhavam em torno de dez quilômetros por semana tinham metade do risco de sofrer de problemas de memória que os demais.

Referência: Erickson K.I. et al., Physical activity predicts gray matter volume in late adulthood. Neurology. 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tempo de TV e PC prejudicam crianças

Crianças que passam muitas horas por dia na frente de uma tela têm mais risco de sofrer problemas psicológicos, mesmo que mantenham atividade física intensa, indicou um estudo publicado nesta segunda-feira pelo jornal americano Pediatrics.

Pesquisadores da universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, perguntaram a 1.013 crianças de 10 e 11 anos quanto tempo passam por dia jogando video-games ou assistindo televisão. As respostas variaram entre zero e cinco horas.

As crianças também responderam a um questionário para determinar seu estado psicológico. Além disso, receberam um aparelho, que deveriam usar durante uma semana na cintura para medir a intensidade da atividade física realizada.

De acordo com os pesquisadores, as crianças que passavam duas ou mais horas por dia na frente de uma tela eram mais hiperativas, tinham mais dificuldades em se relacionar socialmente e mais problemas emocionais do que aquelas que passavam menos tempo - embora fossem fisicamente mais ativos.

Até agora, estudos demonstravam que as crianças fisicamente mais ativam compensavam os efeitos negativos das horas passadas em frente a uma tela, e muitos pais acreditam que os filhos podem passar o tempo que quiserem vendo TV ou jogando, desde que compensem se exercitando, destacou o jornal médico.
Referência: Page A.S et al., Children's Screen Viewing is Related to Psychological Difficulties Irrespective of Physical Activity. Pediatrics, 2010.

domingo, 26 de setembro de 2010

Exercícios protegem neurônios cardíacos do envelhecimento

Estudo enfatiza a importância da atividade física constante para retardar a neurodegeneração relacionada à idade

Uma pesquisa realizada no Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) em parceria com o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) constatou que praticar exercícios regularmente protege os neurônios do coração de seu processo natural de envelhecimento. Além disso, pesquisadores observaram que esses mesmos neurônios mudam de tamanho à medida que a idade aumenta.

O trabalho é de autoria de Eliane Florencio Gama, pós-doutoranda do Laboratório de Anatomia Funcional Aplicada à Clínica e à Cirurgia do Departamento de Anatomia do ICB. Orientada pelo biólogo Edson Aparecido Liberti, a fisioterapeuta trabalhou com ratos de três meses de idade durante dez meses, fazendo-os correr em esteiras cinco vezes por semana, por uma hora. “Geralmente esse tipo de pesquisa dura cerca de três meses, que é um tempo razoável para que o tecido sofra alteração por causa de algum estímulo. Mas nós preferimos fazer um trabalho a longo prazo para saber os seus efeitos durante o período de uma vida toda”, explica Eliane. Os ratos utilizados na pesquisa vivem em torno de dois anos.

“A velocidade a que submetíamos os ratos é algo semelhante a uma corrida para um ser humano”, descreve. A pesquisadora explica que procurou saber quanto o exercício físico podia atrasar os efeitos do envelhecimento e se a perda de neurônios do plexo cardíaco (região acima dos átrios do coração) poderia ser retardada.

Partindo de uma dissertação de mestrado sobre envelhecimento de neurônios cardíacos em ratos, feita em 1999 no próprio ICB, Eliane e Liberti já sabiam que ratos que envelhecem de forma natural, sem praticar exercícios físicos constantemente perderiam cerca de 70% dos neurônios do coração. Porém, ao analisar o plexo cardíaco dos animais que correram na esteira, percebeu-se que a perda de neurônios na região não aconteceu. “Estatisticamente, essa perda não foi significante. Isso já é um ganho, uma vez que um dos problemas do envelhecimento são as perdas”, diz Eliane.

Referência: Gama EF. et al. Exercise changes the size of cardiac neurons and protects them from age-related neurodegeneration. Annals of Anatomy. 2010;192:52-57

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Exercício reduz predisposição genética à obesidade

O aumento da prática de exercício físico pode diminuir a predisposição genética para a obesidade em cerca de 40%, refere um novo estudo publicado na “PLoS Medicine”.

Para este estudo, investigadores da Medical Research Council Epidemiology Unit, em Cambridge, Reino Unido, contaram com a participação de 20.430 indivíduos residentes em Norwich, Reino Unido. A equipe analisou diferentes variantes genéticas que, em investigações prévias, já tinham sido associadas com um aumento do risco de obesidade. A maioria das pessoas herdou 10 a 13 destas variantes dos pais, mas algumas herdaram mais de 17, enquanto outras herdaram apenas cerca de 6.
Adicionalmente, todos os participantes forneceram informação sobre a sua prática de exercício físico.

O estudo revelou que cada variante genética adicional estava associada a um aumento do índice de massa corporal (IMC) equivalente a 445 gramas para uma pessoa com 1,70 metros de altura.
Contudo, este efeito foi maior nas pessoas inativas do que nas ativas. Para as pessoas que tinham um estilo de vida ativo este aumento foi apenas de 379 gramas por variante, o que corresponde a um valor 36% inferior ao aumento verificado para as pessoas inativas, 592 gramas por variante genética.

Os investigadores também verificaram que, por cada variante genética adicional, o risco de obesidade aumentou em 1,1 vezes. Contudo, este risco foi 40% mais baixo para as pessoas ativas do que para as inativas.

Segundo os autores da investigação, liderados por Ruth Loos, os resultados deste estudo enfatizam a importância da adoção de um estilo de vida saudável na prevenção da obesidade, o que tem ainda mais importância para as pessoas com risco genético aumentado.

Referência: Ruth J. F. Loos et al., Physical Activity Attenuates the Genetic Predisposition to Obesity in 20,000 Men and Women from EPIC-Norfolk Prospective Population Study. Plos Medicine. 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cigarro e sedentarismo aumentam enxaqueca

Os jovens são mais propensos a sofrerem crises de enxaqueca e a terem dores de cabeça crônicas quando estão acima do peso, fumam e se exercitam muito pouco, segundo pesquisa publicada na edição da revista médica Neurology. Avaliando mais de 6 mil estudantes noruegueses com idades entre 13 e 18 anos, os pesquisadores descobriram que aqueles que apresentam, ao mesmo tempo, esses três fatores negativos têm três vezes mais chances de sofrerem dores de cabeça frequentes.

As análises indicaram que um em cada cinco adolescentes era fumante, 16% estavam acima do peso ideal e 31% se exercitavam menos de duas vezes por semana. Além disso, mais de um terço das garotas e um quinto dos meninos relataram dores de cabeça recorrentes no ano anterior à entrevista da pesquisa. Avaliando as relações desses fatores do estilo de vida com a ocorrência de cefaleias, os pesquisadores notaram que mais da metade dos jovens sedentários, gordinhos e fumantes sofriam frequentes dores e cabeça, comparado com apenas um quarto dos que não tinham essas características.

De acordo com os autores, ainda não ficou claro se esses fatores do estilo de vida provocaram as dores de cabeça ou se eles agem mais como desencadeadores em jovens já vulneráveis ou geneticamente predispostos. De acordo com o neurologista Andrew D. Hershey, um dos coordenadores do estudo, crianças com enxaquecas tendem a ter pais que já sofriam com o problema. As influências ambientais entram em jogo fazendo com que a incidência das dores de cabeça seja mais frequente.

Baseados nos resultados, os especialistas destacam a importância do aconselhamento desses pacientes em relação às mudanças no estilo de vida. Entre as melhorias recomendadas, estão a de comer refeições regulares e balanceadas, dormir bem, manter-se hidratado com bebidas sem cafeína e fazer exercícios pelo menos quatro vezes por semana.

Referência: David G. Lichter and Linda A. Hershey. Lifestyles of the young and migrainous. Neurology. 2010; 75: 680 - 681.

DIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Parabéns a todos os profissionais de Educação Física !!!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Exercício reduz vontade de comer

Exercícios recuperam o funcionamento dos hormônios insulina e leptina

Um estudo brasileiro realizado com roedores revelou mais um bom motivo para que obesos pratiquem exercícios físicos. Além de queimar calorias, a atividade reduz a vontade de se alimentar. Isso ocorre porque os exercícios recuperam o funcionamento dos hormônios insulina e leptina, essenciais para a sensação de barriga cheia após uma refeição.

O excessivo consumo de alimentos, aliado à falta de atividades físicas, desencadeia uma forma invisível de inflamação (sem dor ou vermelhidão), mas cujos mecanismos são parecidos com os de uma inflamação normal.

Cientistas da Unicamp investigaram como o exercício afetaria essa inflamação ligada à obesidade. Para isso, estudaram o hipotálamo, região do cérebro que monitora aquisição e gasto de energia.

O exercício agudo recupera a condição inicial do organismo e pode ser usado para regular o sistema de saciedade — diz Eduardo Ropelle, um dos autores do estudo.

Referência: Ropelle, E.R. et al. IL-6 and IL-10 Anti-Inflammatory Activity Links Exercise to Hypothalamic Insulin and Leptin Sensitivity through IKKβ and ER Stress Inhibition. Plos Biology. 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ter irmãos atrasa o amadurecimento das meninas

Novas descobertas demonstram que, em uma família com filhos de ambos os sexos, os meninos podem atrasar o início do desenvolvimento e da atividade sexual de suas irmãs. As pesquisas foram realizadas na Austrália.


Depois de entrevistar 273 pessoas, os cientistas concluíram que a presença de irmãos mais velhos parece retardar o aparecimento da menstruação nas meninas, em média, por quase um ano. No caso dos irmãos mais jovens, eles parecem adiar o início da atividade sexual em mulheres pouco mais de um ano.

O motivo disso ainda é desconhecido. Os pesquisadores excluíram fatores como classe social; em vez disso, eles especulam que os irmãos mais velhos possam atrasar a maturação fisiológica das irmãs por absorver mais recursos dos pais ou pela tensão psicológica que se cria entre eles. Ao mesmo tempo, irmãos mais novos podem atrasar a maturação comportamental das meninas exigindo que suas irmãs mais velhas assumam papéis de mães, cuidando deles.

Outras estatísticas das mulheres, como o número de gestações, idade da primeira gravidez e nascimento do primeiro filho, não parecem ser afetadas pela presença de irmãos. Isso pode ser devido à independência das mulheres contemporâneas. Às vezes, elas começam a experimentar tal independência muito antes de terem filhos, segundo os investigadores. Durante esse período, elas coletam experiência e conhecimento para criar uma boa família no futuro, superando os efeitos negativos da presença de irmãos.

Pesquisas futuras devem se concentrar em determinar como e por que os irmãos atrasam o início da maturidade sexual e da atividade sexual de suas irmãs.

Referência: Milne, F.H., Judge, D.S. Brothers delay menarche and the onset of sexual activity in their sisters. Proc. R. Soc. Biological. 2010


MATURAÇÃO SEXUAL será assunto de Tema Livre no 33 Simpósio Internacional de Ciências do Esporte

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Passar de sedentário a ativo requer cuidados

A prática de exercícios físicos diários é muito importante e traz benefícios como a manutenção da saúde muscular, óssea e dos níveis glicêmicos, além de elevar a auto-estima e diminuir o estresse acumulado. A Secretaria de Estado da Saúde, por intermédio do programa Agita São Paulo, incentiva o acúmulo de 30 minutos de atividades físicas diárias, durante cinco dias da semana.

No entanto, para sair do sedentarismo e iniciar uma rotina de atividades físicas regulares são necessários alguns cuidados. Por isso, a pasta preparou algumas dicas para evitar problemas como dores pelo corpo no dia seguinte e distensões musculares.

Exercícios de alta intensidade, como corridas de longa distância ou o famoso futebol com os amigos, sem preparação prévia, podem levar a lesões musculares e ósseas. Por isso, o ideal é adaptar-se aos poucos, com atividades de intensidade leve ou moderada, e torná-las um hábito.

Para incorporar a atividade física no cotidiano não são necessárias grandes mudanças ou a aquisição de equipamentos caros. O importante é ter vontade, assumir o compromisso e mudar o comportamento.

“A pessoa deve ter em mente que praticar exercícios físicos regulares é benéfico para a vida inteira. Mudanças simples no cotidiano, como subir escadas e ir a pé ao mercado, podem fazer muita diferença”, afirma Timóteo Araújo, professor do Programa Agita São Paulo.

O professor alerta, ainda, para a preocupação excessiva das pessoas com a aparência do corpo. “Começar a praticar exercícios físicos de alta intensidade visando apenas o aumento de massa muscular ou a diminuição do peso não é o ideal, só aumentam as chances de lesões. A evolução da intensidade deve ser de forma gradual”, observa.

Dicas para iniciar rotina de exercícios físicos sem dores:

- Comece andando por pelo menos 30 minutos todos os dias de forma contínua ou acumulada;

- Acumular 3 mil passos com caminhada ao trabalho, ao refeitório ou à escola (pode-se usar um contador de passos para auxiliar), totalizando 10 mil passos ao final do dia;

- Fazer exercícios em sessões de 10 minutos a cada 4 horas, utilizando todos os períodos do dia;

- Praticar exercícios sempre de forma confortável, usando roupas leves;

- Procure cantar ou conversar durante os exercícios. Isso os deixa mais prazerosos.

- Não copie ninguém. Mesmo que duas pessoas comecem a praticar exercícios juntas, há diferenças na capacidade de adaptação;

- Não ultrapassar os limites do corpo. Se sentir dores enquanto pratica o exercício ou no dia seguinte é sinal de exagero. Diminua a intensidade.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Exercício físico na adolescência diminui a vontade de usar cocaína na juventude

Pelo menos é o que sugerem os pesquisadores do U.S. Department of Energy’s Brookhaven National Laboratory. Eles fizeram um estudo com ratos jovens e ratos adultos e perceberam que a atividade física durante a adolescência pode ser uma arma contra o abuso de cocaína no futuro.
“Este é o primeiro passo para tentar entender a conexão entre os exercícios e o abuso de substâncias”, afirmou o neurocientista Panayotis (Peter) Thanos, o autor principal do estudo. “Nós queremos ver como o exercício manipulado impactará a susceptibilidade do abuso de drogas e da dependência”.
Os exercícios melhoram o processo cerebral da dopamina, a substância química ligada às sensações de prazer e de recompensa. A idéia é ver se os efeitos na adolescência podem afetar as atitudes no começo da idade adulta. “A adolescência é um estágio de desenvolvimento importante no qual o exercício tem um papel-chave tanto no desenvolvimento cerebral quanto na química do cérebro”, explicou Thanos.
Na experiência, alguns ratos viveram no sedentarismo e outros passaram por uma rotina de 5 dias de exercícios por semana durante 1 mês e meio. Os dois grupos receberam injeções de cocaína e de solução salina durante este tempo e foram observados por mais várias semanas. Aqueles que fizeram exercícios demonstraram um desejo muito menor pela droga.
Dado curioso: diferentemente dos ratos, as ratas exibiram maior preferência da droga, fazendo exercício ou não. Isto corrobora com pesquisas anteriores que diziam que as mulheres eram mais suscetíveis ao vício do que os homens.

Referência: Thanos et al., Chronic forced exercise during adolescence decreases cocaine conditioned place preference in Lewis rats. Behavioural Brain Research. 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Dormir demais pode ser prejudicial

Nove por cento dos entrevistados que dormiam nove horas ou mais por dia, aumentaram em 1,5 vezes o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Dormir bastante não é garantia de organismo descansado, bem-disposto. Pelo contrário: sono em excesso pode indicar um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares, segundo um estudo feito pelo Centro de Controle de Doenças, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos com 30.397 entrevistados.

A novidade da pesquisa, divulgada na terça-feira pela revista Sleep, é o aumento da incidência de doenças em quem passa das nove horas diárias de sono - uma frente de pesquisa que começa a ser investigada também pelos médicos brasileiros. Tradicionalmente, era a privação de sono que aparecia associada a eventos cardiovasculares na literatura médica, diz o neurologista do Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo, Luciano Ribeiro Pinto Júnior. "Agora, dormir demais também se mostra desinteressante para a saúde."

Na pesquisa americana, 9% dos entrevistados (2.735) que dormiam nove horas ou mais por dia tiveram risco 1,5 vezes maior de desenvolver doenças cardiovasculares do que os que dormiam entre sete e oito horas - período considerado o ideal para descanso. Cerca de 8% dos entrevistados (2.431) que dormiam menos de cinco horas tiveram essa possibilidade aumentada em 2,2 vezes. Apneia do sono e obesidade também estão relacionados a horas de sono em excesso. "A qualidade do sono é um indicador da qualidade de vida e da saúde do indivíduo", afirma o presidente do Departamento de Neurologia da Associação Paulista de Medicina, Rubens Reimão.

Para os especialistas, dormir menos ou demais não é doença. "Não é o sono que mata, mas sim o que causa pouco ou muito sono", explica o neurofisiologista do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas, Flávio Áloe. Os médicos ainda investigam a ligação entre dormir muito e o aparecimento de doenças. "Sabemos que dormir pouco pode liberar substâncias no organismo e gerar mais stress. Não sabemos, porém, os efeitos no organismo de dormir muito", complementa a especialista em medicina do sono da Associação Brasileira do Sono, Luciana Palombini.

Referência: Sabanayagam C; Shankar A. Sleep duration and cardiovascular disease: results from the National Health Interview Survey. SLEEP 2010;33(8):1037-1042.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dia dos pais divertido

Em comemoração ao Dia dos Pais, as secretarias municipal e estadual da saúde, em conjunto com a Secretaria Municipal de Esportes, realizarão no próximo sábado (7) uma feira da saúde voltada exclusivamente ao público masculino.

Para divulgar a iniciativa, a SES produziu o vídeo acima, convocando pais e filhos a participarem.

O evento acontecerá no Parque Esportivo dos Trabalhadores do Tatuapé, a partir das 9h, e, além de esclarecer dúvidas sobre alimentação saudável, diabetes, hipertensão e doenças sexualmente transmissíveis, oferecerá shows, atividades esportivas, exposição de carros antigos, presença de atletas de todos os tempos e sorteio de ingressos para o museu do futebol.

Se você é um filho nota 10, leve seu pai lá. Vai ser um Dia dos Pais saudável e divertido.

O PET do Tatuapé fica na Rua Canuto de Abreu, s/n.

http://saudeemacao.blogspot.com/2010/08/se-voce-e-um-filho-nota-10-leve-seu-pai.html

Funcionários obesos tiram mais licença médica

Segundo um novo estudo, pessoas obesas tiram mais dias de folga no trabalho por doença do que as mais magras. Os resultados mostram que indivíduos obesos tiraram quatro dias de licença médica a mais por ano, em média, do que aqueles com um peso saudável.
A obesidade é conhecida por aumentar o risco de muitas doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Então, talvez não seja surpreendente que os indivíduos obesos necessitam de mais licença médica, especialmente ausências de longa duração. No entanto, o estudo também constatou que a obesidade aumenta o risco para as ausências de curta duração – o tempo que alguém poderia tirar se pegasse uma gripe, por exemplo.
O trabalho sugere que a atual epidemia de obesidade nos Estados Unidos e outros países desenvolvidos podem ter custos econômicos além de apenas aumentar as contas médicas. Os pesquisadores esperam que os resultados possam estimular os empregadores a tomar medidas para incentivar seus funcionários a perder peso. Demonstrar o custo econômico para suportar a obesidade entre os seus trabalhadores pode motivar os empregadores a se envolverem na reflexão sobre este problema.
No entanto, já que o estudo foi realizado em um grupo específico de trabalhadores no Reino Unido, os resultados podem não necessariamente se aplicar a outras populações. Os pesquisadores analisaram dados de 625 trabalhadores de um sistema de transporte público de Londres. Os trabalhadores dirigiam ou controlavam trens, e foram sujeitos a exames regulares de saúde.
Os indivíduos tiveram sua altura e peso medidos entre 2004 e 2005, e foram acompanhados durante esse período. Eles foram considerados obesos se tivessem um índice de massa corporal (IMC) de 30 ou mais. O IMC é uma relação entre a altura de uma pessoa e seu peso, e é considerado um indicador de gordura corporal.
Os trabalhadores obesos tiraram uma média de nove dias fora do trabalho por ano, enquanto indivíduos com peso saudável tiraram uma média de cinco dias. A obesidade aumentou o risco para licenças de longa duração (mais de 10 dias) e de curta duração também.
Os pesquisadores, então, levaram em conta outros fatores que poderiam influenciar o absentismo, inclusive se o indivíduo tinha problemas psiquiátricos, obesidade relacionada com problemas médicos (como diversas doenças crônicas), ou se eles estavam insatisfeitos com seu trabalho ou gerente.
Para a maior parte, as faltas de longa duração entre os indivíduos obesos pareciam ser devidas a problemas médicos. No entanto, a ligação entre a obesidade e as ausências de curta duração independia de problemas médicos, psiquiátricos ou satisfação no trabalho.
Os pesquisadores ainda não sabem ao certo por que pessoas obesas têm um risco mais elevado de se ausentar em curto prazo, mas eles têm algumas especulações: pode ser que as pessoas obesas sejam mais suscetíveis a infecções e demoram mais tempo para se recuperar delas, ou pode ser que os indivíduos obesos lidem com os sintomas de doenças de maneiras diferentes aos de peso saudável.

Artigo: Harvey, S.B. et al, Obesity and sickness absence: results from the CHAP study. Occupational Medicine 2010;60:362–368

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Não ter amigos faz mal a saúde

Um estudo publicado por cientistas norte americanos revelou que pessoas com vários amigos vivem mais do que pessoas que vivem isoladas socialmente.

O estudo publicado ontem na Revista Plos provou que o isolamento social faz muito mal à saúde, tanto como tabaco e álcool em excesso. Os cientistas perceberam o aumento do isolamento do mundo desenvolvido e concluíram depois da pesquisa com mais de 300.000 pessoas que as que tem mais relações sociais têm 50 por cento mais probabilidades de sobrevivência do que aqueles que têm poucos amigos.

Referência: Julianne Holt-Lunstad, Timothy B. Smith, J. Bradley Layton. Social Relationships and Mortality Risk: A Meta-analytic Review. Plos Medicine. July 2010. Volume 7. Issue 7

terça-feira, 27 de julho de 2010

Atividade física na escola: pratique esta idéia

As atividades físicas realizadas em ambiente escolar podem contribuir para uma vida ativa e trazer benefícios para a saúde das crianças.

Quem nunca viu aquela cena de crianças saindo da escola com o uniforme sujo, despenteadas, sorridentes e felizes? Pois, então, a escola é um território fundamental para a promoção de uma vida ativa. Mas será que o simples fato de participar das aulas de educação física garante que as crianças estejam cumprindo a frequência de atividade física recomendada pelos especialistas?

Segundo o professor Douglas Roque Andrade*, infelizmente esse não é um cenário animador. Ele conta que uma pesquisa recente feita pelo Ministério da Saúde apontou que a frequência semanal e o tempo de atividade física realizado durante a aula de 50 minutos é muito pequeno. “Os cinquenta minutos de aula são divididos entre o deslocamento até o local da aula, organização do material e explicação do professor”, explica.

Para Douglas, diretores, professores, funcionários e pais podem colaborar com pequenas mudanças para combater o sedentarismo. Uma sugestão muito interessante é estimular um intervalo (recreio) fisicamente ativo, com materiais disponíveis para brincadeiras como cordas, bolas, amarelinha pintada no chão e música ambiente.

“O movimento faz parte da nossa existência e é através dele que, com poucos meses de idade, começamos a explorar o mundo que nos rodeia. E se por acaso não pudermos nos movimentar, é sinal de que algo não vai bem”, explica o especialista. “A atividade física tem sido utilizada como estratégia para ajudar as crianças a construir e manter ossos e articulações mais fortes. Ela contribui também para o gerenciamento do peso, pressão arterial e sensação de bem-estar. Se o esporte for praticado em grupo, ele ensina habilidades como autodisciplina, trabalho em equipe e liderança, envolvendo questões sociais importantes”, ressalta.

E por que o estímulo a uma vida ativa é tão importante durante o processo de crescimento e desenvolvimento? Douglas ensina que crianças e adolescentes mais ativos tendem a ser adultos mais ativos. Entretanto, se forem sedentários, a chance de se tornarem adultos fisicamente ativos será mínima.

E já existe uma série de bons exemplos a serem seguidos com o objetivo de estimular a atividade física antes, durante e depois do período escolar. Em alguns países, as crianças contam com grupos organizados que garantem a segurança dos que optam por ir a pé até a escola. No Brasil, escolas como as da Diretoria de Ensino de Campinas Leste se envolvem em atividades nos parques da cidade.

Mas, lembre-se: os adultos devem dar o exemplo, já que as crianças costumam se espelhar nas atitudes dos pais e professores. Atividades simples como subir escadas e ir a pé até a padaria também valem. E então? Vamos praticar essa ideia?

*Douglas Roque Andrade é doutor em saúde pública pela Universidade de São Paulo e professor de educação física das universidades UNICSUL, UNIFMU e UNIESP

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tempo sentado x Mortalidade

Um estudo da Sociedade Americana do Câncer concluiu que o tempo que uma pessoa permanece sentada pode apressar sua morte. Pesquisadores estudaram um grupo de mais de 123 mil pessoas por mais de dez anos, todas sem histórico de câncer, derrame ou problemas cardíacos, e chegaram ao seguinte resultado: mulheres que afirmaram passar mais de seis horas sentadas por dia mostraram estar 37% mais propensas a morrer que aquelas que ficam sentadas por menos de três horas por dia.
O índice se manteve praticamente o mesmo entre homens e mulheres que praticavam atividades físicas. E entre este grupo, as chances de morte por problemas do coração se mostraram maiores do que por câncer.
Mas a falta de atividade física, ou seja, o fato de ser sedentário, aumenta ainda mais a relação com a morte. Mulheres e homens que ficam muito tempo sentado e são sedentários tiveram 94% e 48% mais chances, respectivamente, de morrer, comparado com aqueles que ficam sentados por menos tempo e mostraram-se mais ativos.
Para a pesquisadora Alpa Patel, autora do estudo, as descobertas servem de alerta à saúde pública sobre a necessidade de se promover a prática de atividades físicas e diminuir o sedentarismo.
Permanecer muito tempo sentado, independente de fazer atividade física, causa importantes consequências metabólicas que influenciam coisas tava de triglicérides, colesterol, pressão alta, sintomas típicos da obesidade, de problemas cardiovasculares e de doenças crônicas. As autoridades de saúde deveriam criar políticas para incentivar a prática de exercícios físicos.

Referência: “Leisure Time Spent Sitting in Relation to Total Mortality in a Prospective Cohort of US Adults.” Alpa V. Patel, Leslie Bernstein, Anusila Deka, Heather Spencer Feigelson, Peter T. Campbell, 5 Susan M. Gapstur, Graham A. Colditz, and Michael J. Thun. Am J Epid Published online July 22, 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quem fica muito tempo sentado tem mais chance de morrer, diz estudo

Um estudo da Sociedade Americana do Câncer concluiu que o tempo que uma pessoa permanece sentada pode apressar sua morte. Pesquisadores estudaram um grupo de mais de 123 mil pessoas por mais de dez anos, todas sem histórico de câncer, derrame ou problemas cardíacos, e chegaram ao seguinte resultado: mulheres que afirmaram passar mais de seis horas sentadas por dia mostraram estar 37% mais propensas a morrer que aquelas que ficam sentadas por menos de três horas por dia.
O índice se manteve praticamente o mesmo entre homens e mulheres que praticavam atividades físicas. E entre este grupo, as chances de morte por problemas do coração se mostraram maiores do que por câncer.
Mas a falta de atividade física, ou seja, o fato de ser sedentário, aumenta ainda mais a relação com a morte. Mulheres e homens que ficam muito tempo sentado e são sedentários tiveram 94% e 48% mais chances, respectivamente, de morrer, comparado com aqueles que ficam sentados por menos tempo e mostraram-se mais ativos.
Para a pesquisadora Alpa Patel, autora do estudo, as descobertas servem de alerta à saúde pública sobre a necessidade de se promover a prática de atividades físicas e diminuir o sedentarismo.
Permanecer muito tempo sentado, independente de fazer atividade física, causa importantes consequências metabólicas que influenciam coisas tava de triglicérides, colesterol, pressão alta, sintomas típicos da obesidade, de problemas cardiovasculares e de doenças crônicas. As autoridades de saúde deveriam criar políticas para incentivar a prática de exercícios físicos.

Artigo: “Leisure Time Spent Sitting in Relation to Total Mortality in a Prospective Cohort of US Adults.” Alpa V. Patel, Leslie Bernstein, Anusila Deka, Heather Spencer Feigelson, Peter T. Campbell, 5 Susan M. Gapstur, Graham A. Colditz, and Michael J. Thun. Am J Epid Published online July 22, 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mais exercício e menos remédio

Agência FAPESP – Um estudo verificou que mulheres acima de 60 anos que praticam 150 minutos por semana de atividades físicas moderadas, como caminhadas, consomem menos remédios em comparação às que não têm o mesmo hábito.

A conclusão é de Leonardo José da Silva, no trabalho de mestrado “Relação entre nível de atividade física, aptidão física e capacidade funcional em idosos usuários do programa de saúde da família”, realizado na Universidade Federal de São Paulo com Bolsa da FAPESP.

Silva acompanhou 271 mulheres com idade acima de 60 anos que participaram do Programa de Saúde da Família, organizado pela Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

As participantes que cumpriram um programa de exercícios variados de no mínimo 150 minutos semanais apresentaram consumo de medicamentos 34% menor em comparação às mais sedentárias.

“Esse tempo mínimo de exercícios de 2,5 horas semanais é preconizado pela American Heart Association e pelo American College of Sports Medicine”, disse Silva à Agência FAPESP. Com menos de 10 minutos semanais de atividade física o indivíduo é considerado sedentário e entre 10 minutos e 150 minutos de exercícios por semana ele é categorizado como insuficientemente ativo.

Os resultados do estudo de Silva foram apresentados em maio no 3th International Congress Physical Activity and Public Health realizado em Toronto, no Canadá.

Silva contou com uma parceria entre a Unifesp e o Centro de Estudos de Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs). Guiomar Silva Lopes, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e orientadora de Silva, considera o programa oferecido pela cidade paulista aos idosos uma valiosa fonte de pesquisa. “Trata-se de uma população pequena e estável, o que facilita o acompanhamento dos participantes durante prazos mais longos”, disse.

As atividades físicas disponibilizadas incluem caminhadas, exercícios de aprimoramento de força muscular, equilíbrio, flexibilidade e capacidade aeróbica. Há também visitas domiciliares feitas por agentes de saúde, nas quais os idosos são incentivados a praticar atividades físicas frequentes, como ir ao mercado ou fazer um passeio a pé.

O consumo de remédios das participantes da pesquisa foi avaliado por meio do cadastro da Secretaria Municipal da Saúde de São Caetano do Sul. Na base de dados estão registradas informações relevantes sobre todos os participantes do Programa de Saúde da Família, incluindo os medicamentos consumidos regularmente.

Economia de medicamentos

Segundo Guiomar, os resultados do estudo poderão subsidiar políticas públicas que incentivem a atividade física visando à prevenção e controle das doenças crônicas associadas ao envelhecimento, reduzindo despesas com medicações e internações.

“Podemos perceber a importância desse estudo ao constatar que o idoso consome, no mínimo, cinco medicamentos associados a doenças ligadas ao envelhecimento”, disse a orientadora.

A relação causa e efeito entre atividade física e consumo de medicamentos ainda está sendo estudada. A redução dos níveis de pressão arterial proporcionada pela atividade física é uma das hipóteses levantadas pelo estudo de Silva, uma vez que a doença é uma das mais comuns entre a população idosa, estando presente em mais da metade das pessoas acima de 60 anos.

O diabetes, com prevalência de 25% entre idosos, é outra enfermidade afetada pelo nível de atividade física. “Há estudos indicando que exercícios respiratórios aumentam a sensibilidade do organismo à insulina”, comentou a professora da Unifesp.

Esse efeito é importante para as pessoas em cujos organismos a insulina não atua de maneira eficiente. “A resistência à insulina tem alta prevalência na população idosa e se caracteriza pela menor resposta à insulina, com aumento discreto da glicemia e da insulinemia. Estes fatores juntos contribuem para a obesidade e o aumento do risco de doenças cardiovasculares”, disse.

As mulheres são as que mais se beneficiam da prática de atividades físicas, no caso levantado em São Caetano do Sul. Guiomar conta que a pesquisa se restringiu ao público feminino porque ele representa a grande maioria dos participantes do programa.

A professora ressalta que não são completamente conhecidas as razões que levam a menor participação masculina nessas atividades. “Sabemos que a mulher tem expectativa de vida um pouco maior do que a do homem, aumentando a frequência de mulheres viúvas e sozinhas, porém esse fato não explica a absoluta ausência masculina”, disse.

Segundo Silva, o estudo destaca o fortalecimento da medicina preventiva, área que se encontra em crescimento e tem laços com a educação física. “A prescrição de medicamentos ainda é preponderante na prática médica. Podemos diminuir esse consumo de remédios com métodos de prevenção baratos e simples como a atividade física”, sugeriu.

Por Fabio Reynol

Fonte Agência FAPESP: http://www.agencia.fapesp.br/materia/12482/mais-exercicio-e-menos-remedio.htm

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Exercício físico na adolescência minimiza risco de problemas mentais na terceira idade

Os adolescentes fisicamente ativos apresentam riscos menores de sofrerem deteriorações mentais na terceira idade, sendo que este efeito do exercício físico é mais notável nas mulheres, revela um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society.

Foram utilizados dados de 9344 mulheres com 65 anos ou mais, que foram questionadas sobre a regularidade da prática de exercício durante a sua adolescência, aos 30 e aos 50 anos. As suas funções cognitivas também foram avaliadas.
Segundo os resultados, aquelas que praticavam exercício com regularidade em qualquer idade, tiveram um risco menor de debilitações mentais, quando mais velhas. No entanto, os benefícios foram mais visíveis nas mulheres que eram ativas na adolescência.

Apenas 8,5 por cento das que eram ativas nessa época ficaram mentalmente debilitadas mais tarde, em comparação a 16,7 por cento daquelas que foram sedentárias na adolescência. Após ajustar as diferenças entre os grupos e fatores de risco como diabetes, os investigadores concluíram que a atividade física durante a adolescência estava associada a um risco 35 por cento menor de debilitação cognitiva mais tarde.

Artigo: Middleton L.E. et al, Physical Activity Over the Life Course and Its Association with Cognitive Performance and Impairment in Old Age. Journal of the American Geriatrics Society. 2010;58(7):1322-1326
Exercício Físico e Envelhecimento serão discutidos no
Curso de Envelhecimento
33º Simpósio Internacional de Ciências do Esporte
São Paulo 07, 08 e 09 de Outubro de 2010.
Acesse: http://www.simposiocelafiscs.org.br/

domingo, 11 de julho de 2010

Longevidade Excepcional

De acordo com um artigo publicado esta semana na revista científica Science, os genes são a chave da longevidade excepcional, termo utilizado pelos pesquisadores em referência às pessoas que vivem mais de 100 anos e conservam com elas a boa saúde. Apesar de reconhecer a importância de fatores externos, como a prática de exercícios e o consumo de alimentos saudáveis, eles concluíram que algumas variantes genéticas são as responsáveis pela longa expectativa de vida.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores, liderados pela bioestatística Paola Sebastiani e pelo médico geriatra Thomas Perls, analisaram o mapa genético de mais de 2 mil pessoas, cujos dados foram armazenados pelo New England Centenarian Study, um projeto da Universidade de Boston que coleta informações sobre longevidade. No grupo dos centenários, foram estudados os genes de pessoas nascidas entre 1890 e 1910, que tinham de 95 anos a 119 anos. Desses, um terço tinha algum parente de primeiro grau que também era caracterizado pela longevidade excepcional. No grupo de controle, a análise concentrou-se sobre filhos de indivíduos que morreram antes de completar 80 anos.

Depois de se debruçar sobre o mapeamento dos genes dos dois grupos, os cientistas descobriram que 150 variantes genéticas são responsáveis pela vida centenária — o que não significa apenas ultrapassar a barreira de 100 anos, mas chegar lá com saúde. De acordo com o estudo, é possível prever com 77% de certeza se um indivíduo vai conseguir viver mais que um século.

Além disso, a equipe identificou 19 grupos de genes encontrados em 90% dos centenários que garantem a essas pessoas uma espécie de imunidade contra doenças associadas ao envelhecimento, como demência e hipertensão. Os cientistas também observaram que 45% dos centenários mais velhos — aqueles com mais de 110 anos — eram os que possuíam a maior proporção de variantes genéticas associadas à longevidade. “Essas ‘assinaturas genéticas’ são um novo avanço rumo à medicina preventiva. Um método analítico (o mapeamento genético) poderá prever e proteger contra numerosas doenças, assim como facilitar o desenvolvimento de medicamentos individualizados”, acredita Thomas Perls, fundador e diretor do New England Centenarian Study.

A pesquisa não se resumiu à busca dos genes relacionados à vida centenária, mas também procurou as variantes relacionadas ao surgimento de doenças. Com isso, os cientistas poderiam saber a real importância das variantes da longevidade — as pessoas talvez vivessem mais por ter menos predisposição a ficarem doentes. Para tanto, os pesquisadores analisaram quantas variantes associadas a doenças havia no mapa genético de cada centenário, e compararam com os genes dos indivíduos do grupo de controle. O resultado provou que há pouca diferença entre os dois grupos, o que sugere que as variantes da longevidade são mais importantes que as demais.

Isso sugere que prever o risco de um paciente desenvolver determinada doença utilizando como base apenas a predisposição genética para aquele mal pode levar a um resultado impreciso, pois seria importante cruzar os dados com outras variantes. De acordo com os autores, uma pessoa pode ter genes que favorecem, por exemplo, o aparecimento de uma doença degenerativa, como Parkinson. Porém, se as variantes da longevidade excepcional também estiverem presentes no organismo, o risco de que aquele mal se desenvolva seria bem menor do que o imaginado.

Artigo: Paola Sebastiani et al. Genetic Signatures of Exceptional Longevity in Humans. Science, 2010

domingo, 4 de julho de 2010

Estudantes do Ensino Médio não fazem exercícios

Estudo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia mostra que quase metade dos jovens brasileiros tende a adotar comportamentos sedentários, sendo que os dias da semana e mesmo o gênero podem influenciar essa atitude.
O trabalho é de autoria de Maria Cecília Tenório, pesquisadora do Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade de Pernambuco e membro do Grupo de Pesquisa em Estilos de Vida e Saúde (Recife, PE), e colegas, e foi disponibilizado na edição de março de 2010 do periódico.
Os autores afirmam que para a coleta de dados foi realizado levantamento com 4210 estudantes do ensino médio. Esse estudo foi por sua vez conduzido como parte de um projeto denominado "Estilos de Vida e Comportamento de Risco à Saúde de Estudantes do Ensino Médio de Pernambuco", desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Estilos de Vida e Saúde da Universidade de Pernambuco. As informações foram obtidas no período de abril a outubro de 2006 e incluíram a aplicação de um questionário.
Entre os resultados do trabalho, os especialistas revelam que a maioria dos estudantes (65,1%) apresentou níveis insuficientes de atividade física.
Para os pesquisadores, os resultados do estudo permitem concluir que a prevalência de exposição a nível insuficiente de prática de atividades físicas é alta, particularmente entre as moças. Os rapazes, por sua vez, parecem estar mais expostos a comportamento sedentário.

Fonte: TENORIO, Maria Cecília Marinho et al. Atividade física e comportamento sedentário em adolescentes estudantes do ensino médio. Rev. Bras. Epidemiol. 2010, vol.13, n.1, pp. 105-117.

sábado, 3 de julho de 2010

Copa mexe com o coração dos torcedores

Duzentos e cinquenta e cinco eventos cardíacos foram contabilizados até a noite de quarta-feira (23/6) pela pesquisa “Estudo Copa, O coração do torcedor”, promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. São principalmente infartos, ocorridos por causa da emoção nos jogos da Copa. O caso mais marcante é de um homem que infartou durante o jogo entre Brasil e Costa do Marfim e continua internado na Unidade Coronariana do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

Só em São Paulo, onde o Hospital Sírio Libanês e o Dante Pazzanese já enviaram as informações pelo sistema “on-line”, foram registrados 112 casos, o que não quer dizer, entretanto, que todos foram causados pela emoção dos jogos. Apenas após a tabulação será possível identificar exatamente quais os casos em que os jogos da Copa foram o fator desencadeante do evento, diz Álvaro Avezum, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho e que é presidente do Grupo de Estudos de Epidemiologia e Cardiologia Baseada em Evidências da SBC.

Os 255 casos foram atendidos desde o início da Copa por 10 dos 15 hospitais de vários Estados que aderiram à pesquisa “Estudo Copa - O coração do torcedor”, promovida pelo Funcor (Diretoria de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC). Dados dos demais hospitais estão chegando via eletrônica para serem tabulados.

“Por enquanto recebemos informações de 112 eventos em São Paulo, 58 atendidos em hospitais de Curitiba, 38 casos de Brasília, 9 de Divinópolis-MG, 30 do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, 4 de São José do Rio Preto e 4 de Campinas”, explica Avezum. Ele ressalva, porém, que são informações cruas, que precisam ser analisadas e tabuladas, e é importante comparar os números de pacientes atendidos durante os dias de jogos com a média de atendimentos de cada hospital antes da Copa, para medir o incremento.

As primeiras indicações, porém, são de que houve aumento sensível, diz o presidente do Grupo de Estudos em Cardiologia do Esporte da SBC, Nabil Ghorayeb, também um dos coordenadores da pesquisa. “Um hospital de São Paulo, que atende em média a 5 eventos cardiológicos por dia, no primeiro jogo do Brasil atendeu a 20”, diz ele.

O diretor do Funcor, Dikran Armaganijan, explica que o objetivo da pesquisa, semelhante à realizada na Copa anterior, na Alemanha, “é identificar o risco efetivo da emoção de um jogo causar um problema cardiovascular, informação vital para condicionar a prevenção na Copa de 2014, que será no Brasil”. Para isso foi preparado um questionário a ser preenchido com os dados de cada paciente, idade, risco cardiovascular, isto é, se é fumante, se tem pressão alta, por exemplo, a descrição do evento cardíaco, a ocasião em que ocorreu e o atendimento prestado.
“O estresse causado pela ansiedade durante um jogo pode provocar quatro tipos de eventos”, ensina Dikran, “uma angina instável, arritmia cardíaca, derrame ou infarto, elevação da pressão arterial”, e o estudo servirá também para orientar as autoridades para otimizarem a prevenção e a rapidez do atendimento aos torcedores nos eventos esportivos mais importantes e emocionais em nosso país. Afinal, teremos entre nós Olimpíada e Copa de Futebol entre outras competições internacionais nos próximos anos e o torcedor deverá ter segurança médica de primeiro mundo, lembra o médico.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Simpósio Internacional de Ciências do Esporte

PRORROGADO - DEADLINE SIMPÓSIO CELAFISCS
NOVA DATA: 20 de JULHO de 2010

Em virtude da Copa do Mundo e o grande número de acessos em nosso sistema, o que dificultou o envio de alguns trabalhos, o Dead-Line para os Tema Livres para o Simpósio Internacional de Ciências do Esporte foi PRORROGADO para o dia 20 de Julho de 2010.
Caso tenha alguma dúvida de como realizar o processo de envio de Temas Livres, seguem os seguintes contatos: e-mail e msn : simposio@celafiscs.org.br / 4229-8980 ou 4229-9643 skype: maysa.calmona

Clique no link e acesse o SITE DO SIMPÓSIO 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

Treinamento com pesos pode causar lesões

Cada vez mais pessoas aderem à musculação e fazem levantamento de peso – e às vezes, soltando-os onde não deveriam.
Um novo estudo descobriu que entre 1990 e 2007, quase um milhão de norte-americanos acabou na sala de emergência com ferimentos causados pela musculação e que as lesões aumentam mais de 48% por ano.
De acordo com a pesquisa publicada na edição de abril do American Journal of Sports Medicine, cerca de 82% das 970 mil pessoas lesionadas eram homens, dados da base nacional dos Estados Unidos de prejuízo de vigilância. Contudo, o número de lesões em mulheres aumentou rapidamente – 63%, em comparação com 46% entre os homens – talvez porque a musculação seja cada vez mais popular entre o público feminino.
As mulheres são mais propensas a ferir suas pernas e pés, enquanto as lesões dos homens são mais comuns no tronco e nas mãos; os homens apresentam mais torções e distensões, e as mulheres mais fraturas.
As causas das lesões são, na maioria das vezes, devido à queda de pesos, esmagando uma parte do corpo entre os pesos ou chocando-se contra o equipamento. Exagerar no exercício, causa a extensão do músculo e perda de equilíbrio muscular, responsável por cerca de 14% dos atendimentos de emergência. Mais de 90% das lesões ocorreram durante o uso de pesos soltos e não em equipamentos.

Fonte: Epidemiology of Weight Training-Related Injuries Presenting to United States Emergency Departments, 1990 to 2007. Zachary Y. Kerr; Christy L. Collins e R. Dawn Comstock. The American Journal of Sports Medicine. 2010;38:765-771

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